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Como não cair em golpes de Uber e táxi por app: o guia prático para se proteger

blog.asdprodtech.com.br⏱ 8 MIN ·

Você pediu um carro pelo app, desceu do prédio, viu um veículo parado na frente e entrou. Só dentro do carro percebeu que a placa era diferente da que aparecia na tela. Já aconteceu com você ou com alguém que você conhece? Esse é um dos golpes mais comuns nas grandes cidades brasileiras agora, e ele funciona justamente porque a gente está com pressa, distraído ou já achou que tinha feito tudo certo ao pedir pelo aplicativo.

Uber, 99 e inDriver viraram parte da rotina de milhões de pessoas. São apps que, bem usados, são seguros. O problema é que golpistas estudam como eles funcionam para explorar os momentos em que o passageiro baixa a guarda. Este guia vai mostrar os principais golpes que estão circulando agora e o que você pode fazer para não cair em nenhum deles.

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O golpe da placa errada (e como ele funciona na prática)

O mais frequente atualmente é o que profissionais de segurança chamam de "sequestro de corrida". O passageiro pede o carro pelo app, e um motorista não cadastrado fica do lado de fora esperando alguém descer. Quando a pessoa aparece olhando para o celular, ele pergunta: "Fulano? Seu carro chegou." A pessoa confirma o nome (que o golpista ouviu ou chutou), entra, e só depois percebe que a placa não bate.

Como não cair em golpes de Uber e táxi por app: o guia prático para se proteger

O risco aqui vai muito além de perder dinheiro. A corrida no app foi cancelada ou nunca foi confirmada, então você está num carro com um desconhecido sem nenhum registro de quem é esse motorista. Para evitar isso, existe um passo simples que muita gente pula: sempre confira a placa, o modelo e a cor do carro ANTES de falar qualquer coisa para o motorista. Não o cumprimente, não diga seu nome. Chegue perto do carro, veja a placa, compare com o que está no app. Só então abra a porta.

Como conferir no app antes de entrar?

No Uber e na 99, assim que o motorista aceita a corrida, aparecem na tela: nome do motorista, foto, avaliação, modelo do carro, cor e placa. Isso tudo fica numa aba na parte inferior da tela. Antes de descer, tire um print ou memorize a placa. Quando o carro chegar, olhe para a placa física, compare. Se não bater, não entre e reporte pelo app.

Golpes de PIX dentro do carro: o novo favorito dos criminosos

Esse aqui está crescendo muito e vale um alerta separado. O golpe funciona assim: durante a corrida (ou logo antes de você sair), o motorista fala que o app está com problema para processar o pagamento e pede que você pague em dinheiro ou via PIX diretamente para ele. Parece razoável, né? Mas não é.

Os apps de transporte não têm "problemas de processamento" que exijam pagamento manual. Isso não existe. Se o motorista disser isso, é golpe. Além de você pagar sem nenhuma garantia, em alguns casos a corrida ainda é cobrada normalmente no seu cartão depois. Você pagou duas vezes, e o suporte do app vai ter dificuldade em reembolsar porque a corrida foi concluída normalmente do lado deles.

Outra variação: o motorista mostra um QR Code de PIX no celular dele e diz que é o "novo sistema do app". Não existe isso. Nunca pague PIX direto para o motorista. O pagamento é sempre processado dentro do aplicativo, automaticamente.

E se o app realmente der erro na corrida?

Acontece raramente, mas acontece. Se houver um problema real, o próprio app vai te notificar com uma mensagem oficial. Nesse caso, entre em contato com o suporte pelo chat dentro do app. Nunca tome decisões de pagamento com base no que o motorista fala verbalmente.

Phishing por mensagem: o golpe começa antes da corrida

Phishing é quando alguém tenta roubar seus dados fingindo ser uma empresa de confiança. Pensa assim: é como receber uma carta falsa com o logo dos Correios pedindo que você confirme seu CPF. No mundo dos apps de transporte, isso aparece de formas criativas.

Uma delas é o SMS ou WhatsApp falso dizendo que sua conta foi suspensa e que você precisa clicar num link para reativar. O link leva para uma página que copia exatamente o visual do app, mas que rouba seu e-mail, senha e até dados de cartão. Outra versão: um e-mail dizendo que você tem um crédito de R$ 50 para resgatar, mas precisa confirmar seus dados primeiro.

A regra de ouro: nunca clique em link de SMS, WhatsApp ou e-mail dizendo ser da Uber ou da 99. Se quiser verificar algo, abra o app diretamente no celular ou acesse o site oficial digitando o endereço você mesmo no navegador. Promoções reais aparecem dentro do app, não chegam por mensagem pedindo que você clique em algum lugar.

O motorista que cancela perto do destino (e cobra de qualquer jeito)

Esse golpe é mais financeiro do que de segurança física, mas dói no bolso. O motorista aceita a corrida, começa a rodar normalmente, e pouco antes do destino cancela a corrida pelo lado dele e pede que você pague em dinheiro o valor combinado. A lógica que ele usa é: "o app travou, mas você já chegou, então me paga direto."

O que acontece de verdade: a corrida cancelada pode ter gerado uma taxa de cancelamento para você, e o dinheiro que você pagou em mãos não tem proteção nenhuma. O motorista embolsou o valor sem registrar nada, e você ainda pode ser cobrado pelo cancelamento.

Se isso acontecer, não pague nada em mãos. Abra o suporte do app na hora, explique o que aconteceu e relate o motorista. Os apps têm histórico de GPS da corrida, então eles conseguem ver que o trajeto foi realizado mesmo que a corrida tenha sido cancelada, e costumam resolver o caso a favor do passageiro.

Como usar o recurso de segurança que a maioria ignora

Tanto o Uber quanto a 99 têm recursos de segurança embutidos que pouca gente usa de verdade. Vale conhecer e ativar antes da próxima corrida.

Nenhum desses recursos exige configuração complicada. Todos estão dentro dos apps, na aba de segurança ou durante a corrida ativa. O problema é que a maioria das pessoas só vai procurar quando já está em apuros.

O que fazer se você perceber que caiu num golpe

Primeiro: se sentir que está em perigo dentro do carro, não reaja de forma agressiva. Tente simular uma ligação, dizer que alguém está esperando na sua chegada ou pedir para parar em algum lugar público movimentado. Use o botão de emergência do app se conseguir sem chamar atenção.

Se o golpe foi financeiro (pagou PIX errado, foi cobrado duas vezes, caiu no phishing), aqui está o que fazer em ordem:

  1. Acesse o suporte do app imediatamente, dentro do próprio aplicativo, e descreva o ocorrido com detalhes: horário, nome do motorista, valor cobrado.
  2. Se pagou PIX para um número desconhecido, entre em contato com o seu banco pelo canal oficial (app ou telefone no verso do cartão) e peça o bloqueio ou devolução da transação via MED (Mecanismo Especial de Devolução do Banco Central, que funciona para casos de golpe).
  3. Registre um Boletim de Ocorrência pela Delegacia Virtual do seu estado. Isso pode ser necessário se o banco ou o app pedirem comprovante para reembolso.
  4. Troque a senha do app afetado e ative a verificação em dois passos se ainda não tiver.

A boa notícia é que os apps de transporte levam reporte a sério e costumam reembolsar casos comprovados. O problema é que sem o registro imediato fica difícil provar. Por isso, age rápido.

A maioria dos golpes nessa área depende de um único fator: a pressa do passageiro. A pessoa desceu com pressa, entrou com pressa, não conferiu. Tirar 15 segundos para olhar a placa, o modelo e o nome do motorista antes de abrir a porta já elimina boa parte do risco. Não precisa ser paranoia, só precisa virar hábito.